Colina de Prata

16/05/2006 22:32
Amanhã de Manhã



Hoje meu sonho é dormir e só acordar amanhã, pois só amanhã, ao abrir meus olhos, te verei dormindo ao meu lado, ou melhor, antes mesmo de abrir meus olhos sentirei teu cheiro ao meu lado, aquele cheirinho de menina, aquele cheirinho de mulher de manhã bem cedinho.

Hoje não, só amanhã; hoje não é dia dessas coisas felizes, hoje é um dia terrível, cinza, solitário, insano e, que só não é absolutamente insuportável porque sei que amanhã vou te ver. Mas é só amanhã, por hora é só não prestar muita atenção às dores no peito, às memórias, às lágrimas involuntárias; é só esperar o anoitecer e o sono chegar, se bem que, a ansiedade pelo dia de amanhã meu causa insônia.

Mas o fato é: acordarei às cinco e trinta, ficarei te olhando até dez para as seis, depois me levanto, escovo os dentes e vou preparar aquele café da manhã que sei que adora e que foi você mesma que me ensinou a fazer, trago para a cama e te acordo com a nossa música; observo atentamente você se espreguiçar como uma leoa, olhos felinos, ronronar sensual, olhinhos ainda inchados e cara de charminho; é agora que você me olha tão fixa e profundamente como ninguém jamais o fará, ou no máximo Deus o faça um dia. Então me sinto pleno, estou completo, não me falta mais nada. Também não sei quantos milhões de anos se passam nos instantes em que me olhas, mas não importa, já que depois o tempo volta mesmo.

Você é sempre desastrada, já sei que vai sujar a cama e me olhar fazendo um biquinho que é impagável, presto uma profunda e devotada atenção à cada migalha que cai da sua boca, não quero perder nada de você, cada migalha é importante.

Tudo isso vai acontecer amanhã de manhã; hoje não, hoje nunca é o dia de nos vermos, hoje o dia é cinza, hoje não tem você, conseqüentemente não tem eu também, não tem quase nada, a garrafa de melancolia já vai em mais da metade e eu bebi sozinho. Não tem importância, hoje em dia hoje é sempre assim, mas amanhã beberemos juntos algo delicioso, guardei uma garrafa do que há de melhor pra você, é uma das antigas; mas hoje não, só amanhã de manhã.


Clodoilson, 16 de maio de 2006.

enviada por Jack



01/02/2005 22:05
Casalzinho no escuro



-E aí? Ta com medo?
*Estou.
-Por que?
*Porque ta muito escuro, não me vejo nem vejo você.
-Mas estou com você, não é isto que importa?
*É, mas eu estou com medo mesmo assim.
-Por que precisa me ver?
*Porque sem te ver, parece que estou sozinha no escuro, pensando em voz alta.
-De certa forma, aquilo que somos quando estamos juntos ficou sozinho no escuro.
*Você é estranho.
-Sou?
*Claro que é; profundo, com algum sentido que nem sempre alcanço, mas estranho.
-Você é bem simples e direta, numa pequena frase atinge o ponto que realmente importa.
*Atinjo você?
-Em cheio!
*E você não tem medo disso?
-Não, eu até gosto.
*Também não tenho medo de você, apesar de ser estranho.
-Eu sei, mas mesmo assim você fica um pouco nervosa, seu coração lembra um tambor indígena, e esta escuridão poderia ser uma selva.
*Você sempre imagina coisas bonitas para me dizer, parece um menino no mundo da lua, como se diz por aí.
-Não é como se eu inventasse, eu sinto, eu falo.
*Algumas vezes sinto coisas esquisitas também, é quando estou com você.
-Sente algo agora?
*Além da sua mão?
-Sim?
*Sinto.
-E o que é?
*É algo grande e bonito, se contente com esta descrição, eu não pinto tão bem quanto você meus quadros emocionais.
-Algo grande e bonito parece muito bom para mim.
*Que horas são?
-Perdi o relógio.
*De que lado nós viemos?
-Não sei, nem sei também para que lado iremos, tudo é igual se visto do ponto onde estamos.
*Estamos perdidos?
-Completamente perdidos.
*Já não sinto tanto medo...
-Eu queria ver seus sentimentos por mim.
*Então observe atentamente a profunda escuridão de meus olhos negros.
-Tudo aqui é negro, a noite nos engoliu, tudo à minha volta é negro, como posso ver seus olhos?
*Meus olhos são tudo isto.
-Estou dentro do seu olho?
*Você é bobo sabia?
-Eu sou bobo e ainda assim você me ama?
*É claro seu bobo.
-Você é estranha.





Clodoilson Ferreira Lemos
01/02/2005

enviada por Jack



21/11/2004 21:28
Para o homem que amo




Querido amigo, desculpa por não conseguir dizer de uma forma mais bela e adequada tudo que sinto por ti, um amor suave e sereno que já me modificou profundamente e faz parte do que sou a algum tempo.

Todas as coisas de valor devo a ti, vi em teus olhos muitos sóis brilhantes de pura ternura, vi uma majestade que nunca tinha imaginado antes; obrigado pelo abraço, agora me sinto mais leve, agora posso amar o sol e a lua, agora sou uma estrela no céu.

Quando eu andava naquela floresta obscura e úmida observei algo enigmático que apreendeu minha atenção e toda a minha alma, aquela árvore, o sândalo, ela perfumava o machado que a matava, jamais entendi aquilo, mas adorava o perfume suave, e dormia debaixo de qualquer pedra que me abrigasse.

Tantas vezes eu fui o machado, tantas vezes te golpeei tão profundamente, porque não entendia nada do que diziam de ti, porque não aceitava uma verdade simples demais para se aceitar, te feri e teu sangue jorrou em mim, agora estou vermelho, encharcado, ele me perfuma eternamente e agora te olho nos olhos; nos meus há um pouco de vergonha, ternura, admiração, companheirismo e sobretudo amor, que se mostra quase que num leve sorriso; teu corpo é o sândalo, teu sangue é meu perfume, que pena que teve que ser assim, e pensar que te entregastes por inteiro...

Amigo meu! Amigo meu! Amastes-me antes que eu a ti! como és belo em todos os teus atos, em tua forma de luz, em tua sabedoria profunda eu descanso e sei que jamais serei traído, pois não há traição em ti, tão diferente de mim, sois perfeito em todos os teus caminhos.

Peço-te desculpas de novo, não posso imaginar teus olhos sem chorar, é ternura demais para mim, não me olhe assim, quem poderia suportar esta luz? Eu não posso, eu choro demais, eu caio de joelhos e em silêncio tento decifrar a profundidade do infinito.

Com minha boca e minhas palavras escritas quero confessar ao mundo estas coisas que nem sei exprimir ao certo, quero dizer que para sempre sou teu servo, se quiseres; que acredito em tua causa, para sempre; que morrerei por ela, não importa quando; que tudo valerá a pena, mesmo agora; que és homem e Deus na Terra e nos Céus! Que meu coração confessa que és o verbo de Deus e o caminho único que leva ao Ein-Sof, o incriado e perfeito para sempre, Deus!

Por meio de ti alcanço a salvação da minha alma e experimento agora mesmo enquanto escrevo, pedaços do que se conceituaria como Céu, meu paraíso é ser teu por inteiro, meu Senhor e Salvador Jesus Cristo! Te amo.

Clodoilson Ferreira Lemos, novembro de 2004-11-21

enviada por Jack



18/09/2004 12:07
Pintura em Vermelho



Ah... hoje o sol me disse que era dia de brincar com facas,
Hoje a sua luz veio calada e depositou um brilho suave no jardim,
Olhando o lugar pensei que ele sussurrava um nome...

Ah... hoje é dia de brincar com uma criança, hoje é dia de
Brincar com facas.

Eu pensei que podia ouvir o CD de Maria Rita logo pela manhã
E sair ileso, aquela voz é suave como o café de minha mãe, que acabei
De tomar e, que parece tão inofensivo.

Eu não tinha planejado passar o dia em meu quarto escrevendo,
Mas o vento que vem da janela e abraça a rede, de onde quer que tenha
Vindo trouxe consigo um sentimento que parece saudosismo, felicidade
Calma e um pouco de tristeza também, não sei o nome desse sentimento.

Hoje tudo é tão bonito que eu até brinquei com os cães, hoje uma
Lembrança é suficiente para provocar um sorriso, é como se de repente
Se sentisse uma saudade imensa de coisas que não se passaram a não ser
Em sonhos.

Quando estou assim fico com um sorriso besta o dia inteiro, mas
Um amigo disse que eu fico triste, é que ele só prestou atenção á metade
Do meu estado, que não se resume à tristeza, graças a Deus. É também
Um sentimento bom de querer bem, é um abraço aconchegante na alma
Que te persegue o dia inteiro; o jardineiro vê a linda rosa nascer e
Murchar.

Quando se brinca com facas é assim mesmo, a gente se corta cedo ou tarde, mas quando facas é só o que temos, às vezes vale a pena. Jogando as lâminas para cima com um malabarista e observando seu brilho, fascinado com a criança no circo pela primeira vez, assim eu brinco.

Acho que já estou cansado agora, já tem muito sangue no chão, chega de lâminas por hoje.

Agora feche os olhos e imagine um circo lotado e em silêncio, todos observam muito admirados, é um espetáculo novo e enigmático. Vamos lá! Force um pouco e imagine a cena:

No meio do picadeiro, bem no centro mesmo, tem um menino sorrindo enquanto enxuga as lágrimas, sentado numa poça de sangue, com os dedos ele pinta um rosto bonito que sorri, aquele rosto faz parecer que a dor não existe.

Agora bata palmas com todas as forças, porque é um espetáculo difícil de se fazer e também porque o rosto ficou bonito mesmo.








Clodoilson Ferreira Lemos
sábado, 18 de setembro de 2004


enviada por Jack



30/07/2004 00:38
Aliforme Desepero


Antigamente eu queria dizer muitas coisas...
Queria gritar, queria mostrar e dividir o que sinto,
Queria desabafar...

Toda criança quer mostrar seu novo brinquedo
E comemorá-lo com as outras, inebriada de
Alegria.

Antes de ontem eu ganhei um vídeo-game;
Ontem ganhei um diploma, hoje ganhei meu dia;
Talvez amanhã eu ganhe um beijo...


Todo menino quer mostrar aos amigos a
Nova cicatriz; e comemorá-la com bravura
E bravatas; toda criança tem uma estória
Triste para contar...

Antes de ontem escorreguei no banheiro
E chorei muito; ontem briguei na escola;
Hoje me senti sozinho;
Talvez amanhã eu não ganhei um beijo...

Então o que eu sou entre um sorriso
E uma lágrima?
E quando já não se tem mais
Nada disso?
Quem iria se importar com algo
Tão estranho que não causasse
Nem alegria nem dor?

Talvez algo assim soe sem sentido
Demais para merecer atenção ou
Provocar alguma sensação excitante
Tão trivial e tão viciante...

Agora tudo mudou,
Agora ninguém vai rir,
Agora ninguém terá pena
Nem vai chorar;
Agora nem tem mais graça
Porque a sensação estranha
Que sobrou, apesar de ser
Apenas suavemente desconfortante,
Penetrou, muda, profundamente
Na alma e permaneceu calada e,
Este silêncio inegavelmente incômodo
Não é tão fácil de digerir quantos as
doses diárias de alegria e tristeza.

Não, desta vez é diferente,
O silêncio permanece;
E não adianta tentar, de maneira
Infantil, direcionar a atenção
Para as outras coisas do dia-a-dia,
Mendigando alguma sensação mais
Degustável, porque desta vez o
Gosto ruim vai ficar na boca
Até amanhecer.

Toda criança se sente frustrada
Quando não tem alegrias,
Façanhas, tristezas ou cicatrizes
Para mostrar...
As antigas já perderam a graça...
Talvez um dia todos cresçamos...
Talvez fosse melhor se fizéssemos
Isso juntos...



Clodoilson Ferreira Lemos
sexta-feira, 30 de julho de 2004

enviada por Jack



05/07/2004 00:06
Pra quem gostou do meu poema Monólogo do deus da lama eu ouvi esta semana uma música que parece feita pra ele, é Arnaldo Antunes mas ouvi na voz de Gal Costa, que acho que é a melhor versão, é só ir no Kaaza e procurar socorro.mp3 :)

logo postarei mais, obrigado a todos pelas visitas ;)
enviada por Jack



29/05/2004 19:33
Como o Ig não deixa (ao contrário dos demais blogs e flogs) colocar outro link que não de blig tive que fazer isto ^^
(que horrível, espero que seja verdade que o que vale é a intenção)

Meus links de amigos:
http://www.fotolog.net/fraudinha A minha colega japinha

http://fotolog.net/tefanitita/?pid=7842440 Minha cantora de música japonesa (favorita), eu até conheço ela ^^

http://www.fotolog.net/pequena_jou Minha amiga Jou :)
(A morena)

http://www.fotolog.net/marvel --> Este é de meu amigo Ravel, bom amigo.

http://dijadesesperada.blig.ig.com.br/ É o blig da Dija! Gosto dela ;)

http://www.fotolog.net/aoshaum --> Meu amigo Caio, grande Caio :)

http://www.fotolog.net/supimpao/ Flog de Junim ^^









enviada por Jack



25/05/2004 21:50
Monólogo do deus da lama



A Grande Revolta pousou em minha alma!
Que desgraça!
Que desgraça!
O corvo dilacera meu ombro esquerdo!
Grito horrendo!
Pavoroso!

Como pude?!
Quando aconteceu?
Por que, eu, fagulha divina resplandecente,
Deixei-me limitar pelas paredes de fumaça do ego humano?
Carcaça podre, matéria mansão dos vermes!
Gaiola de um deus como eu.

Maldição!
Abandonei meu trono para brincar de ser rei das pedras e dos insetos!
Que saudades da Luz Divina!
Onde está o sol que me servia de travesseiro?
Cadê minhas musas?
Sou um deus reluzente!
Exijo minha majestade de volta!

Inclinai-vos diante de mim! Ó estrelas de brilho fraco!
Ordeno que se enfileirem as galáxias e,
Em torno e em espiral as ornamentem as nebulosas!
Os magnetares sãos as contas de meu colar,
Eu me embriago bebendo o plasma de todos os sóis!
Inclinai-vos mortais!
Eu lanço um imensurável rugido,
Eu jogo o meu peito contra as grades!
Hei de derrubá-las!

Agora é só silêncio...

MENTIRA!
MENTIRA!
MENTIRA!

Sou apenas um homem (é o que diz a voz em minha mente)
Ou apenas penso que sou;
Um aglomerado de idéias conflitantes
Que em desespero silencioso convergem para uma noção de existência.
Boneco de barro, lata cheira de tolices, medos, angústias, limitações,
Ira, autopiedade e todo tipo de entulho e mazelas que se dizem “psíquicas”
E que se amontoam no sarcófago do meu ego.
Eis minha imagem!

Sou todo vaidade!
Minhas obras são fruto de meu narcisismo,
Meus momentos mais felizes são como uma vaga nuvem
De consciência que repousa numa luxuosa cama
E se masturba com aplausos.

Pobre de mim! Ai de mim!
Os vermes não sentem nojo de si mesmos
Nem sentem infelicidade, mas eu sim.
Verme consciente!
Sou este verme!
Em verdade, rastejo na semiconsciência
De minha vergonhosa corrupção...

MENTIRA!
MENTIRA!
MENTIRA!

Não há nenhuma voz, isto também é ilusão!
Não sou aquele deus reluzente!
Não sou aquela criatura decrépita!
Se algum dia já fui alguém ou alguma coisa,
Não sou mais;
Minha forma é sem conteúdo;
Vácuo de qualquer significado,
Sem idéias!
Sem sentimentos!
Sem narcisismos nem revoltas!
Sem amor nem paz,
Sem medo ou desespero,
Sem os conselhos da razão,
Sem a tolice da loucura ou os afagos da ilusão.

Não há nada.
Mas é como se esse nada fosse imperfeito e,
Nele pairasse uma noção de vazio e algumas
Lembranças confusas,
Não importa, não há nem mesmo o desejo de lembrar,
Mas há ainda o que sobrou (se é que eu já existi),
E isto que sobrou foi se juntando como poeira,
A poeira pairou como que em uma brisa,
A brisa moldou uma forma na escuridão vazia e,
Daquelas lembranças confusas,
Com sofrido esforço,
Extraí a informação de que essa mesma forma
Que ainda paira no nada,
Tem a silhueta do que seria talvez
Uma criatura chamada borboleta,
E sua matéria seria chamada de fogo,
Centelha de fogo, ou algo do gênero;
Não tenho certeza porque não posso confiar nas confusas memórias.

Aquela borboleta de fogo foi feita
Do que supostamente restou daquilo
Que podia ser concebido como belo,
Misturado com mais um punhado de lembranças
Pequenas demais para fazer sentido.

Mas se “eu” sou nada,
Quem contempla aquela borboleta?
Quem faz estas perguntas?
Acabo de perceber que no vazio sobrou algo mais,
Esta dúvida, e,
Se sou algo sou isto.

Em irrivalizável silêncio eu observo,
E não é ruim observar,
Aquela idéia flutuante,
Aquela...
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Clodoilson Ferreira Lemos.
terça-feira, 25 de maio de 2004.

enviada por Jack



25/04/2004 09:18
Carta ao meu amigo Júlio



Talvez seja uma ousadia te chamar de amigo
Mas com certeza não é uma inverdade. Percebo
Um amigo não como alguém que necessariamente
Nos é chegado a nossa intimidade, mas também
Como todo aquele que de uma forma ou de outra,
Com seu próprio talento é luz, ilumina-nos um
Pouco com um tanto de si mesmo.

Assim é Júlio, radiante Júlio! De onde vem essa
Tua pujança? Por certo vem do Criador. Teus
Cabelos grisalhos, testemunhas de eras,
Parece-nos querer convidar a uma viagem no
Tempo; mas não temos tempo para te perguntar
Sobre a vida, nem tampouco tens tempo para
Nos responder, visto que és um homem deveras
Dedicado aos teus mil compromissos diários.

Ficamos apenas a imagina o que cada dobra em
Teu sereno rosto esconde-nos prodigiosamente,
Quantas experiências? Quantas vivências?
Quantos momentos perigosos foram superados?
Ficamos apenas a imagina...

Ah meu amigo! Quantos confundem tua grandeza
Com a grandeza de teu ofício! Sem dúvida uma
Grande injustiça, pois és de tal nobreza e tal é a
Tua natureza, que transcendes em muito a
Honorabilidade de teu labor, em verdade, és tu
Mesmo que engrandeces tuas profissões.

Queria simplesmente te dizer obrigado, muito
Obrigado; quem mim já se instalava uma
Ofídica tristeza e desencanto para com a
Honestidade humana, o que fatalmente
Atingia eu futuro principalmente pelos
Caminhos do Direito, caminhos que em
Meu coração sempre os tive por honrosos,
Justos, belos, dignos e, sobretudo honesto,
Se via maculado e violentado pelas amarguras
Da realidade que se me apresentavam; aí
Então te conheci.

Obrigado amigo, reavivaste em meu entendimento
Imaturo o sentimento de que aquelas grandezas
Áureas podem existir dentro de certos homens,
E mais ainda, podem ser irradiadas e transmitidas.

Agora sim; agora é possível ter alguma esperança,
Agora faz algum sentido continuar nesta estrada e,
Eu, que nada sou, me sinto beneficiado por esta
Tua amizade calada e que contudo é eloqüente e
Em silêncio.

Ah meu amigo... queria te perguntar tantas coisas...
Ah meu amigo... teu sorriso bonachão torna o
Dia-a-dia menos severo.


Sinceramente,
Obrigado.







Clodoilson Ferreira Lemos

enviada por Jack



25/04/2004 09:10
Uma declaração como presente de Natal


“Bate o sino, pequenino, sino de Belém...” Nesta época do ano sentimos esta canção natalina e tantas outras ecoando em nossos corações, reverberando sem fim.
Que presentes aquele velho Noel nos trará desta vez? Estou com um pouco de medo, acho que não fui um bom menino este ano; bem, de qualquer forma eu não ia pedir nada mesmo, eu só queria agradecer pelo maior presente do mundo, quero agradecer por você, meu amor, meu presente maior, tudo em minha vida, tendo você, meu amor, nem sei mesmo o que mais pedir, mas seria injusto agradecer só a Papai Noel e não te dizer nada, por isto te digo que só cheguei até aqui graças a ti, a tua força constante era o que mantinha as minhas insegurança e inconstância sob controle; quando batia o desespero e eu não tinha para onde ir, corria para o quarto e chorava nos teus braços ternos, assim, teu abraço foi meu ninho nestas tempestades violentas. Para onde mais eu fugiria?
E minha vida Toda-Insossa, sem ti seria mesmo insuportável, meu desgosto pelos estudos, mas você sempre me disse que eu deveria estudar; minha decepção com a Igreja, mas você sempre pegou minha mão e me ensinou a orar; Nem mesmo meus jogos eletrônicos me encantam se não os jogo contigo.
O que eu seria sem ti? Eu seria? Valeria a pena ser? Por estas e outras respostas eu só tenho a agradecer por mais um ano ao teu lado, nem sei o que fiz para merecer este presente divino, quando olho para o céu vejo o teu rosto nas nuvens e, quando cansado, molhado da chuva, quase caindo de agonia resolvo desistir de tudo, eu lembro que quando eu chegar em casa você vai sorrir pra mim daquele seu jeito doce e vai dizer: “Tá tudo bem amor, você é tudo que eu quero, amanhã tentaremos de novo” e eu não desisto, e trabalho com gosto ainda e, quando me deito a noite eu durmo em paz e tenho sonhos bonitos que te conto no outro dia de manhã, você me conta os seus também e nós sorrimos.
E quando eu erro? E você vem furiosa com seus argumentos indestrutíveis como uma deusa em fúria? Quem poderia te resistir? Apenas te acho mais linda ainda e, é claro, você está sempre certa, porque você é sempre mais serena e mais sensata e, isto sempre foi um contrapeso para a minha impulsividade.
No final de tudo você acaba dormindo em meus braços, teus cabelos me abraçam e, quando vejo você assim, em um silêncio reverente eu olho humildemente para o céu e em meu coração agradeço ao grande ser que muitos chamam de Deus e que eu chamo apenas de Pai, agradeço pelo momento mais valioso da minha vida e digo: -Obrigado Pai, eu nem merecia tanto...
Bom, acho que já disse muita coisa e que se eu falar mais acabarei tagarelando, revelando nossa intimidade ou dizendo coisas que não deveria, aí tomo outra bronca tua...
Ta bom, agora vou mesmo finalizar, depois de te ter dito todas estas coisas quero ainda dizer apenas mais uma: - Você foi, é, e sempre será a minha mentira favorita, adoraria que tudo isto fosse verdade e que tivesse acontecido, adoraria que você fosse real. Mas nem tudo é como esperamos não é verdade meu amor? Agora tenho que continuar vivendo; com sua permissão, me ocorreu agora mandar uma cópia deste bilhete para Papai Noel, será? O que você acha? Se bem que eu não fui um bom menino este ano...






Clodoilson Ferreira Lemos

enviada por Jack



28/03/2004 12:50
Um rosto novo no espelho


Clodoilson, um cara nascido em João Pessoa em 08 de maio de 1980, dizem que aquele dia foi traumático pra ele, parece que ele não parava de chorar nunca, sua mãe dizia que ele não queria ter saído, penso que talvez porque não queria enfrentar a vida, mas enfim, veio ao mundo.
Ao quatro anos ele ganhou uma irmãzinha, para espanto de todos, ele não tinha ciúmes, ao contrário, a amava demais e sempre estava brincando com ela, fascinado por seus gestos, como se fossem mais infantis que os seus. Mas afinal, eram os únicos filhos, tinham que se unir.
Clodoilson teve que se mudar para o interior ainda em tenra idade, foi uma experiência fantástica, lembro que não se adaptou logo, Itaporanga era outro mundo, as meninas mais atiradas e os meninos mais valentes, sempre testando a masculinidade uns dos outros, ele teve que mudar, mudou, e gostou, não dos resultados, mas da capacidade de mudar, sua infância era fascinante, cheia de surpresas.
Em sua puberdade teve que voltar à sua cidade natal, João Pessoa, não era justo, apesar de ser um mundo maior, lá ele já não tinha amigos nem paqueras, teria que começar tudo de novo, mas pelo menos de mudança ele entendia, isso tornou menos difíceis as coisas e seria se o rapaz não tivesse que sentir algo verdadeiramente avassalador, uma paixão, não um amor, amor ele conhecia, mas uma paixão intensa que o aquecia e não o deixava estudar, era totalmente diferente, lembro que ficou tão abatido que nada mais fazia sentido, houve uma época em que amaldiçoou tudo aquilo que sentia e o escravizava; mas passou, com o tempo outro sorriso feminino deu cabo da doença em alguns anos.
A pouco tempo resolveu buscar algum sentido pra toda a loucura que o cercava, foi buscar a Deus, como era católico de nascença se aprofundou um pouco em sua religião mas não se satisfez, virou evangélico, agora todos em casa pareciam adversários, mas aceitaram, não posso negar que ele mudou muito, nem eu acreditei, essa mudança foi grande demais, o velho Clodoilson tinha morrido, nasceu outro cheio de vida que foi com sede demais ao pote, esta religião lhe disse muito, mas não tudo, seus “irmãos” também já não entendiam seu inconformismo, afinal já estava tudo decidido, ele iria para o céu quando morresse, mas noto que hoje ele já está além das doutrinas das igrejas e está com uma estória de buscar a Deus em si mesmo, não entendi muito bem mas o apoio, afinal, somos amigos apesar das brigas.
Faz poucos anos um amigo muito próximo seu morreu em um acidente de trânsito horrível, ele não sentiu nada na hora e guardou a dor por meses, lembro que passou por dias difíceis seis meses depois, quando percebeu de verdade a falta do amigo, tive pena dele, mas com minha ajuda ele se recuperou e o admirei por isso, se bem que ele dava o crédito a Deus, não o culpo, ele estava certo.
Fiquei feliz quando passou no vestibular, pois estava muito ansioso, e, embora não tenha comemorado este fato, eu sei que ele suspirou aliviado ao final, acho que isso foi um momento feliz.
Defeitos, acredito que todos temos, mas Clodoilson é diferente, ele me irrita de maneira especial, odeio sua mania perfeccionista, dizem que ele é meio grosso às vezes e é verdade, ele já foi muito grosseiro comigo várias vezes e brigamos, também não gosto do ar de superioridade que às vezes parece emanar dele inconscientemente, me incomoda. Tenho que admitir que o sujeito desenvolveu qualidades ao longo de 21 anos de vida (hoje já tenho 23), é muito sincero e nunca desisti, nunca, é impressionante, isso vem da sua fé; não consigo destacar outra qualidade marcante mas sei que é um cara amável apesar de tudo.
Um cara fechado para uns, um moleque para outros, é meio estranho isso mas gosto dele assim, moleque mesmo com os pais e a maioria dos colegas, mas fica sério na frente dos adultos e todos juram ser um sujeito muito grave nos modos, na sala de aula é ainda um menino.
Lembrei! Outra qualidade sua é a liberdade, é livre para tudo, pode fazer o quiser, mas não ultrapassa seus limites morais sem suportar a autocondenação tão penosa, pode julgar com clareza e sem dogmas o que é bom e o que pode ser experimentado sem risco, isso eu admiro também, ele ouve mesmo aquele que ataca suas bases de crença, aquele que ataca diretamente seu âmago pode está certo, não sei como ele vive assim, mas evolui com isso, sou a prova.
Não diria que é um cara extremamente compromissado, na verdade é meio esquecido e se mete em encrencas por causa disso, mas está melhorando este seu aspecto, nunca foi de estudar em casa, por isso tem sofrido nestes tempos em que faz Telecomunicações e Direito, ele teve que se disciplinar fortemente e ainda não se adaptou a isso totalmente, mas sempre tem tempo para falar com seu Deus.
Preocupações com o futuro? Nunca vi ele demonstrar isso, parece que se preocupa em dar sempre o melhor de si e deixar as coisas acontecerem, sabe que se algo não der certo não foi negligência sua e irá tentar de novo, parece que é mais fácil viver assim, ou talvez o seja só para ele.
Sujeito muito profundo, introspectivo, meditativo, seu hobby é conhecer a si mesmo, ele sabe que se conhecer a si mesmo conhecerá a todos, pois acredita que apesar de tudo somos iguais nos recônditos do espírito, esta coisa abstrata.
Deus é tudo para Clodoilson, sua vida, o ar, o sangue em suas veias, aquele que o permite agir como um louco e ainda permanecer são, apenas o considera profundo demais algumas vezes, e outras vezes parece uma criança lhe pregando peças, é assim que ele enxerga seu Deus, mas pelo que sei têm um bom relacionamento com Ele, por isso sempre ora, reza, medita, não apenas da maneira convencional que conhecemos, Clodoilson desenvolveu uma intimidade própria com o Criador.
Posso dizer com certeza que ele acredita fortemente em três coisas: Liberdade, tranqüilidade e verdade. Liberdade porque o joga nos ares e o faz crescer, porque é direito universal; tranqüilidade porque descobriu que a correria do dia-a-dia nunca o ajudou e só obteve respostas significativas quando se calou totalmente e ouviu a eloqüência do silêncio dentro de si, sabe que se com tranqüilidade as coisas não se resolvem, sem ela é pior e machucamos a quem amamos; verdade porque ela é a essência de Deus, d’Aquele a quem ele busca, ou talvez por conhecer os frutos amargos da mentira.
Posso ter errado em algo sobre ele, mas sei que foi pouco ou quase nada, porque tenho autoridade como ninguém para falar de Clodoilson, pois afinal de contas somos amigos, pois afinal de contas somos um só.












Autobiografia.
Atividade de classe de R.H.T.
Telecomunicações, noite.

enviada por Jack



28/03/2004 12:47
Tô com saudades



Oi minha lindinha! Onde você está? Tenho te procurado a vida inteira, porque não te acho? Estou com saudades daqueles sorrisos infantis e do seu olhar brilhante, mas sinto falta mesmo é daqueles abraços apertados que nunca te dei, daquele gosto da tua boca.

Lembro-me daquele dia, nunca vou esquecer a lágrima no teu rostinho de fada, aquela pequena gotinha foi uma das maiores coisas que alguém já me deu, eu te dei algumas também.

Cadê você? Apareça de vez em quando para eu me lembrar do que é felicidade, fique um pouco mais em meus sonhos. Lembra da rosa que te dei? Ouvi falar que ela não morre e ainda hoje exala perfume, assim como as lembranças que tenho de ti perfumam meu coração.

Agora estou aqui, só, sinto um frio que não me incomoda exceto pelo fato de lembrar o calor do teu corpo, mas é bom lembrar de ti, pois assim eu lembro de mim mesmo, o que há de bom e de mal, e o que não há também; sei que também sentes minha falta, mas continue me procurando, um dia nos encontraremos novamente pela primeira vez, e será amor à primeira vista; você vai sorrir candidamente e eu esboçarei um olhar-sorriso-curiosidade cheio de um certo misticismo novo.

Você vai aceitar aquele sorvete? Porque fica linda quando te dou na boquinha ou quando fica toda lambuzada, procuro paisagem que me comova como esta e não acho, olho para tudo e não sinto o sabor do tempêro da tua presença, fico insosso, insípido.

Não se preocupe, eu também tenho medo de tudo isso, mas não desista, temos a lembrança do que é bom, ainda que não tenha acontecido, e temos um sonho e a esperança, só precisamos de Deus, seu Amor; lembro-me todos os dias daquele (dia) em que Deus derramou paz, mansidão, alegria e felicidade em mim, quando personificou esse Amor em ti e me deu.
Não posso esquecer... não quero ser capaz.
Amo você.




Clodoilson

enviada por Jack



28/03/2004 12:45
Prisão em si





Sei na pele que nada sou em mim mesmo enquanto não tiver autoridade sobre meus próprios pensamentos, que nada pensarei por mim mesmo enquanto não tiver a capacidade de manter-me em silencio, até lá, todos somos uma caverna viva ouvindo o eco de ruídos não gerados por nós.



Enquanto não paramos de observar o eco, não vemos a luz da saída, ficamos presos dentro de nós mesmos e a chave não está fora.





Clodoilson Ferreira Lemos

enviada por Jack



13/03/2004 20:25
Poesia de um dia cinza




O orvalho do capim parece sua armadura de prata refletindo o céu cinza que insiste em chorar sobre nós. Vem o vento, enquanto tenta enxugar suas lágrimas corta-nos com suas lâminas tão finas, tão finas...

Ouvem-se os passos que aos poucos vão se tornando mais volumosos, ouço meus pensamentos, quase serenos, quase confusos, quase só meus.

O chão é frio, quase tão frio quanto estes versos; o vento tenta mais uma vez e corta meu pensamento.
Posso ouvir os pássaros e, quando os carros silenciam, é possível ouvir as folhas se tocando nas copas das árvores.

A formiga está apressada, como sempre, a moça está apressada, como sempre, e, os carros também, mas o vento continua sereno, o mesmo, senão um pouco mais frio.

Já não há muito a ser dito, todos os dias numa folha de papel, ano após ano, metas parecidas em mentes parecidas de tanto buscarem a originalidade, todos os dia alinhados, um após o outro, como as linhas de um poema; as mesmas críticas, as mesmas idéias inéditas, a mesma inação.

É um milagre que eu ainda consiga observar tudo isto assim desta forma; com esta sensação ilusória de que ainda não fui afetado ou infectado por esse marasmo cotidiano. Doce ilusão, amarga verdade.

Ao menos ainda consigo sorrir, o humor ajuda a suportar o tédio, sobrevivemos de migalhas de pequenas alegrias. Perdoar os outros é fácil, admitir que contribuímos com a perpetuação do que é sem sentido nos causa náuseas.

Agora, um desabafo é quase inútil, quase sem sentido, quase sem força, quase um poema.





Clodoilson Ferreira Lemos

enviada por Jack



13/03/2004 20:21
ensar? Como?





Se ao mínimo sinal da razão humana o desespero se faz presente e o stress arrasa as células, não é melhor que eu ignore esta que me ataca? Se a fé que me acolhe não me cobra o pensamento, se a ciência prova que quem a possui vive mais, não é preferível viver por ela? Penso que sim, até por determinação biológica.


Chega-se então naquele ponto onde não se pode distinguir o ócio da sedentariedade, as nossas máscaras psicológicas e nossa real percepção do universo. Que fazer? Empurrar a vida com a barriga? Não há uma fórmula exata a seguir a não ser viver em função de um coração puro.


Como cheguei a esta conclusão? Quem poderá me dizer se foi pela razão ou pelo coração? Foi uma interação? Em que proporção?


A única constante parece ser a dúvida que causa agonia e ao mesmo tempo impulsiona as mentes ao infinito; irmão da criatividade.



Clodoilson
enviada por Jack






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